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Como declarar as fases no pedido de tomografia com contraste?

Por Dr. André Madeira, Médico Radiologista · 25 de setembro de 2026

A escolha das fases pertence à intenção clínica do pedido. Declará-la por escrito, ou delegá-la de forma explícita ao radiologista com a hipótese registrada, evita estudo incompleto e evita aquisição sem ganho de informação.

Como declarar as fases no pedido de tomografia com contraste?

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Por que declarar as fases no pedido?

Porque cada fase representa uma passagem adicional e, portanto, exposição adicional. Declarar a intenção mantém o estudo no número de aquisições que responde à pergunta. Pedido silencioso leva o serviço a adotar o protocolo padrão da região, que pode ficar aquém ou além do necessário.

A declaração pode ser direta, nomeando as fases pretendidas, ou delegada de forma explícita, com a redação a critério do radiologista conforme os achados. A segunda forma é legítima e frequente, e funciona quando acompanhada da hipótese diagnóstica registrada.

O que não funciona é o silêncio combinado com uma indicação genérica. Nesse cenário, o radiologista decide sem os elementos do seu raciocínio, e a chance de o estudo responder exatamente à sua pergunta diminui.

Quadro com quatro blocos de informação que um pedido de tomografia com fases precisa trazer1Fase arterialContraste concentrado nos vasos2Fase portalDistribuído pelos órgãos3Fase tardiaEm eliminação
Figura 15 · Os quatro blocos de informação que definem o protocolo de um estudo com fases.

O que registrar junto com a intenção?

A finalidade do estudo em uma linha, com o desfecho que se quer avaliar, e a hipótese diagnóstica com o tempo de evolução. Expressões genéricas informam pouco. Uma frase objetiva sobre o que se espera encontrar dirige tanto a escolha das fases quanto a leitura do estudo.

Acrescente cirurgia prévia na região, trauma recente com a data, doença de base relevante e, em pacientes oncológicos, o estadiamento prévio e a data do último tratamento. Esses dados mudam o que é esperado encontrar e, com isso, a forma de conduzir a aquisição.

Quais informações de segurança precisam constar?

Creatinina recente com a data da coleta, reação prévia a contraste iodado descrita com o que aconteceu e com a conduta adotada na ocasião, doença renal conhecida ou diálise, e as medicações em curso, com destaque para metformina e demais antidiabéticos, diuréticos e agentes nefrotóxicos.

A referência adotada é a diretriz da European Society of Urogenital Radiology, que recomenda a estimativa da taxa de filtração glomerular calculada a partir da creatinina sérica. Ela considera a dosagem dos últimos sete dias em pacientes internados ou com doença aguda, e dos últimos três meses nos demais.

Sobre a metformina, a mesma diretriz orienta mantê-la em pacientes com eGFR acima de 30 ml/min/1,73 m² sem lesão renal aguda que recebem contraste intravenoso, e suspendê-la abaixo desse limiar, com nova dosagem em até quarenta e oito horas antes do retorno.

Como pedir um estudo comparável ao anterior?

Informando o serviço e a data do exame prévio, a extensão examinada e, quando souber, a técnica utilizada. Estudo de acompanhamento comparado a um exame de técnica diferente produz variações que vêm do método, e o radiologista precisa registrar essa ressalva no laudo.

Declare também a finalidade comparativa no pedido. Com ela escrita, o radiologista destaca a variação entre os exames na conclusão, que é a informação que o senhor levará para a consulta de retorno.

Oriente o paciente a levar laudo e imagens do exame anterior. Quando o estudo prévio foi realizado na unidade, informar a data aproximada já permite localizá-lo no arquivo antes do dia.

Vale indicar o prazo em que o laudo é necessário?

Vale, e resolve mais do que parece. Quando a consulta de retorno já está marcada, escrever a data no pedido permite que a unidade organize o fluxo considerando esse prazo. Isso evita que o paciente chegue ao retorno sem o documento em mãos.

Em situações que demandem prioridade clínica, registre isso de forma explícita, com o motivo. A marcação de prioridade sem justificativa registrada tende a perder função quando o uso se generaliza.

Como funciona a discussão de achado?

Pelo canal de contato indicado no pedido. Achado inesperado, dúvida sobre a extensão pretendida e necessidade de complementar a aquisição são as três situações mais frequentes, e em todas elas uma conversa de dois minutos evita um estudo incompleto ou uma segunda vinda do paciente à unidade.

Deixe também a informação de quem responde na sua ausência, sobretudo em pedidos emitidos antes de período de férias ou de plantão. O contato que não atende no dia do exame tem o mesmo efeito prático de um pedido sem contato.

Uma observação sobre o registro do que foi feito. O laudo descreve a técnica empregada, incluindo as fases adquiridas e o uso de contraste. Esse registro é o que permite, no controle seguinte, reproduzir o estudo nas mesmas condições e comparar com segurança.

Por isso vale orientar o paciente a guardar o laudo junto com as imagens. Em pacientes que trocam de serviço ao longo do tratamento, esse conjunto é o que preserva a continuidade do que o senhor construiu.

Na prática

Perguntas frequentes

Posso delegar a escolha das fases?

Pode, com a delegação escrita de forma explícita e acompanhada da hipótese diagnóstica. Sem a hipótese, a delegação perde o elemento que a torna útil.

Qual a validade aceita para a creatinina?

A referência adotada considera sete dias para internados ou doença aguda e três meses para os demais. Confirme o prazo praticado com a unidade.

O paciente precisa suspender a metformina?

A decisão é sua, a partir da função renal e do quadro. A unidade precisa saber que a medicação está em uso e qual orientação foi dada.

Como sinalizar prioridade clínica?

Registre a prioridade com o motivo no pedido. A justificativa escrita é o que sustenta a marcação e preserva a função dela na fila.

Fontes

  1. ESUR Guidelines on Contrast Agents, seção de reações adversas renais, com a recomendação de eGFR a partir da creatinina sérica, a janela temporal da dosagem e a orientação sobre metformina · European Society of Urogenital Radiology · consulta em 24/09/2026 — https://esur-cm.org/index.php/b-renal-adverse-reactions-2
  2. Resolução CFM nº 2.107/2014, artigo 3º, sobre os dados clínicos que devem acompanhar o exame para elaboração do laudo · Conselho Federal de Medicina · consulta em 24/09/2026 — https://sistemas.cfm.org.br/normas/arquivos/resolucoes/BR/2014/2107_2014.pdf

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